A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (10), a Operação Fundo Oculto, que investiga um esquema de desvio de recursos públicos e financiamento ilegal de campanhas eleitorais durante as eleições municipais de 2024 no Maranhão. A ação tem como alvo duas organizações criminosas suspeitas de movimentar quase R$ 10 milhões por meio de empresas contratadas por prefeituras maranhenses.

Segundo as investigações, o esquema funcionava a partir de empresas que mantinham contratos com administrações municipais. Após o recebimento dos pagamentos, os valores eram rapidamente sacados em espécie ou transferidos para contas de terceiros, dificultando o rastreamento da origem e do destino do dinheiro. As operações contavam com o apoio de um gerente bancário que atuava em São Luís.
A Polícia Federal identificou que as movimentações financeiras aumentaram significativamente nas semanas que antecederam as eleições. Em um dos núcleos investigados, os repasses suspeitos chegaram a aproximadamente R$ 2 milhões. No total, as transações sob investigação alcançam quase R$ 10 milhões.
As apurações apontam que os recursos eram submetidos a mecanismos de ocultação para disfarçar sua origem. Entre as evidências reunidas pelos investigadores estão depósitos em contas de laranjas, saques em espécie, planilhas paralelas de controle financeiro e documentos relacionados à distribuição de valores. Também foram encontrados arquivos que tratavam da logística de entrega do dinheiro e do monitoramento da presença policial nas proximidades da agência bancária utilizada pelo grupo.
Até o momento, 15 candidatos foram identificados como beneficiários diretos do esquema ou citados em tratativas envolvendo os repasses investigados. De acordo com a PF, os recursos eram distribuídos por meio de intermediários e servidores, numa tentativa de fragmentar as operações e dificultar a identificação dos destinatários finais.
Por determinação do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão. A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, o afastamento de um servidor público e o sequestro de bens avaliados em cerca de R$ 4 milhões.
As medidas buscam ampliar o alcance das investigações, identificar outros envolvidos, recuperar valores desviados e interromper a atuação dos grupos criminosos. A Polícia Federal também apura a participação de agentes públicos e empresários na estrutura utilizada para abastecer campanhas eleitorais com recursos de origem ilícita.
Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica eleitoral, corrupção ativa e passiva, desvio de recursos públicos e outras infrações contra a administração pública.












