
A crise envolvendo o edital da Secretari de Turismo de São Luís, que previa artistas se apresentando de graça no Mirante da Cidade, acabou revelando algo maior do que apenas mais uma trapalhada administrativa: o tamanho da blindagem política em torno do secretário Saulo Santos. Enquanto quatro subordinados já foram sacrificados para conter o desgaste, o chefe da pasta continua intacto, como se nada tivesse acontecido.
Nos corredores da Prefeitura, pouca gente acredita que isso seja coincidência. Saulo é tratado há tempos como um dos protegidos do núcleo mais próximo de Eduardo Braide. Foi levado para a gestão com a força política da prima do ex-prefeito, Sabrina Martins, e sobreviveu até mesmo a episódios constrangedores envolvendo denúncias internas. Na ocasião mais emblemática, Braide preferiu trocar a própria prima de secretaria depois que ela acusou Saulo de supostos atos ilícitos, mas manteve o secretário firme no cargo. O recado foi entendido por todos.
Agora, com a repercussão negativa do edital entre artistas, produtores culturais e a opinião pública, a permanência de Saulo voltou a expor uma dúvida cada vez mais comentada nos bastidores: afinal, quem manda na Prefeitura de São Luís? Porque, passados mais de 30 dias de gestão, Esmênia Miranda ainda não conseguiu imprimir autoridade própria nem dar sinais claros de independência administrativa.
A sensação dentro do próprio Palácio de La Ravardière é de que Braide continua governando à distância — escolhendo quem cai, quem fica e quem permanece intocável. E o caso da Secretaria de Turismo virou quase um símbolo disso. Porque, diante de tanto desgaste, a pergunta ficou inevitável: Esmênia não quis exonerar Saulo… ou simplesmente não pode?








